Crónicas do céu
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«Morri ontem de manhã. Assim que entrei no comboio reparei que a minha roupa tinha repentinamente sido substituída por uma túnica branca, igual às que todos usavam ali dentro. Não só fora preciso abandonar toda a bagagem para poder entrar no comboio, o que todos, melhor ou pior, acabámos por fazer, mas a própria indumentária mudou. Deixei de ter a minha gabardina e o resto da roupa e até perdi os óculos escuros. A única coisa que tinha comigo, tal como todos os outros, era uma túnica branca e sandálias. Até a cruzinha de ouro que tivera ao pescoço todos os instantes desde a infância desaparecera. Ia para o Purgatório apenas com uma túnica branca.»
O que nos espera depois da morte e como devemos viver a nossa vida na Terra tendo em conta essa segunda parte da nossa caminhada para Deus?
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«Daqui a cinco horas vou ver Jesus», escreveu Jacques Fesch no seu último dia na Terra, aos 27 anos de idade.
Dois meses antes da sua execução, foi na cela de prisão em Paris que começou a redigir este diário íntimo destinado à filha Véronique, de apenas seis anos de idade. Sabendo que estava condenado, deu conta nestas linhas da vida dum homem que, dia após dia, via aproximar-se o seu último dia na Terra, mas que também dia após dia se foi aproximando cada vez mais de Deus. A aproximação do fim e a forma heroica e confiante como Jacques o enfrentou continua, ainda hoje, a conferir a este testemunho um valor incontestável e comovente.
Os anos foram passando. Aqueles a quem a discrição impôs durante algum tempo o silêncio do respeito passaram a falar com mais à-vontade. E uma nova edição deste texto tornou-se indispensável. Ei-la no presente volume, aprimorada e dando voz a novos testemunhos, relacionados de perto e de longe com a história dolorosa e trágica de Jacques Fesch. Embora com um enorme respeito pelo que saiu do segredo dos corações e das famílias, estes testemunhos mais recentes permitem perceber melhor a personalidade de Jacques e a sua conversão fulgurante na prisão.
Eis um impressionante testemunho de fé e esperança em Deus a que ninguém, sejam quais forem a sua idade e as suas circunstâncias de vida, poderá ficar indiferente.