Homilias Para O Ano A
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«Falar de Deus leva, certamente, a inscrever a Palavra que acaba de ser proclamada no contexto da vida de cada um, e simultaneamente a mostrar de que modo ela se inscreve no conjunto da tradição da Igreja. Mas falar de Deus a uma assembleia é também abrir caminho para que cada um compreenda o chamamento pessoal que implica essa Palavra. Um caminho para que cada um descubra, com uma alegria profunda, que é alguém a quem Deus Se quer dirigir, pessoalmente. […] Trata-se, na realidade, de um duplo nascimento: o de cada um dos ouvintes, mas também o da comunidade de fé, que, a partir da Palavra e da celebração da Eucaristia, se constitui na unidade. Servir o diálogo de Deus com a humanidade é servir este desejo de que todos sejam reunidos na unidade: “que todos sejam um…”. Podemos certamente descrever uma homilia dando conta do que nela se disse. Mas, para além desse “conteúdo”, ela define-se também por aquilo que tem a missão de fazer. Ou, melhor, pela missão que lhe é confiada de dar aos seus interlocutores aquilo que lhes diz por meio das palavras humanas que profere. E aquilo que ela procura dar é a graça da Palavra, que estabelece a comunhão na unidade. Depois dos ouvintes do Irmão Filipe, sois vós, leitores, aqueles a quem estas homilias são propostas. Que as páginas que se seguem vos abram caminhos de comunhão.» Fr. Bruno Cadoré, op, Mestre da Ordem dos Dominicanos, no «Prefácio»
«Daqui a cinco horas vou ver Jesus», escreveu Jacques Fesch no seu último dia na Terra, aos 27 anos de idade.
Dois meses antes da sua execução, foi na cela de prisão em Paris que começou a redigir este diário íntimo destinado à filha Véronique, de apenas seis anos de idade. Sabendo que estava condenado, deu conta nestas linhas da vida dum homem que, dia após dia, via aproximar-se o seu último dia na Terra, mas que também dia após dia se foi aproximando cada vez mais de Deus. A aproximação do fim e a forma heroica e confiante como Jacques o enfrentou continua, ainda hoje, a conferir a este testemunho um valor incontestável e comovente.
Os anos foram passando. Aqueles a quem a discrição impôs durante algum tempo o silêncio do respeito passaram a falar com mais à-vontade. E uma nova edição deste texto tornou-se indispensável. Ei-la no presente volume, aprimorada e dando voz a novos testemunhos, relacionados de perto e de longe com a história dolorosa e trágica de Jacques Fesch. Embora com um enorme respeito pelo que saiu do segredo dos corações e das famílias, estes testemunhos mais recentes permitem perceber melhor a personalidade de Jacques e a sua conversão fulgurante na prisão.
Eis um impressionante testemunho de fé e esperança em Deus a que ninguém, sejam quais forem a sua idade e as suas circunstâncias de vida, poderá ficar indiferente.