Discernimento e cura pastoral no âmbito dos exorcismos
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«Vivemos hoje numa realidade cultural marcada pelo florescimento difuso da espiritualidade, um fenómeno que fez regressar em força a superstição, particularmente nas formas de idolatria, adivinhação e magia.
[…] à medida que o fenómeno supersticioso foi crescendo na sociedade, os exorcistas registaram também uma maior ocorrência de perturbações demoníacas, uma realidade dolorosa e urgente sobre a qual são chamados a intervir no seu ministério, embora nem sempre consigam atender a todos os pedidos de ajuda dada a falta de operários (nomeados) para esta messe.
Trata-se, de facto, de um ministério exigente, uma vez que envolve o domínio teológico e o domínio científico, especialmente na área da saúde mental. Na prática, o limiar entre uma perturbação demoníaca e uma perturbação mental é por vezes muito ténue e, como podemos calcular, o diagnóstico correto é fundamental para a posterior implementação de um plano de cura pastoral.
[…] Pretendemos responder, assim, a duas questões basilares: “Face à complexidade de um determinado quadro sintomatológico, estaremos diante de uma perturbação demoníaca ou de uma perturbação mental?”; e ainda: “Como exercer a cura pastoral, de modo genérico numa sociedade marcada pela superstição, e de modo particular na confirmação de uma perturbação demoníaca?”.»
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Nesta fascinante entrevista autobiográfica, Robert Sarah, um dos mais desassombrados cardeais da Igreja Católica, dá um testemunho ímpar da sua fé e comenta muitos dos acontecimentos, desafios e controvérsias das últimas décadas. A missão da Igreja, a alegria do Evangelho, os Papas, o mundo moderno, África e o Ocidente, a moral, a verdade, o mal e Deus – sempre – são alguns dos temas que o cardeal aborda com grandes clareza e sabedoria. O cardeal Robert Sarah nasceu e passou a sua infância na Guiné-Conacri, no seio de uma família coniagui. Inspirados no exemplo dos missionários espiritanos, que tanto se sacrificaram para levar a fé católica até à sua aldeia remota, os seus pais converteram-se ao catolicismo. Robert fez o discernimento da sua vocação para o sacerdócio e entrou para o seminário muito novo mas, devido à perseguição movida contra a Igreja pelo Governo ditatorial de Sékou Touré, um dos mais sanguinários de África, prosseguiu os seus estudos longe da terra natal, em França e no vizinho Senegal. Licenciado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, doutorou-se depois em Sagrada Escritura pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém. Em 1979, aos 34 anos de idade, Robert Sarah tornou-se o bispo mais novo da Igreja Católica, quando João Paulo II o incumbiu de presidir ao arcebispado de Conacri. O seu antecessor tinha sido preso pelo Governo marxista da Guiné, que o manteve detido durante vários anos. Quando o arcebispo Sarah correu o risco de ser assassinado, em virtude da sua luta enérgica e corajosa pela liberdade dos Guineenses, João Paulo II chamou-o a desempenhar, em Roma, as funções de secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos. Em 2010, o Papa Bento XVI nomeou-o cardeal e escolheu-o para prefeito do Pontifício Conselho Cor Unum. Em 2014, o Papa Francisco nomeou-o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.