Crónicas do Céu
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O mundo, todo o mundo, existe nos ramos de uma enorme floresta. As avenidas e ruas, as casas e prédios, os campos e montanhas são todos formados do material vegetal, subsistindo equilibrados nos troncos, ramos, folhas e caules de um espesso arvoredo. A nossa vida persiste frágil no topo ondulante de um bosque batido pelo vento. Pior ainda, do fundo escuro que vislumbramos em baixo, sobem troncos ameaçadores. A floresta parece subsistir sobre um pântano infecto e feroz, onde se adivinham perigos sinistros. A vida humana titubeia permanentemente sobre o caos. Em cima, pelo contrário, é o mistério. Nada mais se vê do que o matagal cerrado das copas, sem se conseguir vislumbrar a origem daquela luz que, apesar de tudo, vai passando e dá sentido a toda esta existência. Que aventuras nos esperam neste mundo, simultaneamente surpreendente e promissor? Mais importante ainda, de onde vem esse brilho que se entrevê lá adiante, através das folhas cerradas da minha vida?
«A Igreja e a arte sempre caminharam juntas ao longo da história, deixando marcas tanto no património que herdámos como nas expressões contemporâneas que continuam a brotar do encontro entre a fé e a criatividade humana. [Esta] coletânea de textos […] nasce do desejo de valorizar essa relação e de reconhecer que, por vezes, a Igreja e o mundo artístico parecem seguir caminhos distintos, o que nem sempre facilita o diálogo […]. A ordenação cronológica dos documentos ajuda a perceber a continuidade e a evolução deste diálogo, desde o Papa Pio XII até ao Papa Francisco. Entre discursos, mensagens e homilias, encontramos reflexões sobre o papel da arte na evangelização, o sentido cristão da beleza e o contributo dos artistas para a cultura e a espiritualidade do nosso tempo.
[…] Embora dirigido principalmente aos artistas, este livro interessa também a teólogos, a estudiosos da relação entre a fé e a cultura e a todos os que procuram compreender o verdadeiro significado da beleza. Que estas páginas possam inspirar novos diálogos e novas obras de arte que sejam expressão da Bondade, da Beleza e da Verdade, cuja fonte última é Deus».