Conversas na Rádio no Dia do Senhor
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“A primeira obrigação de um bispo é evangelizar!». Foi com estas palavras e esta convicção que D. Manuel Clemente aceitou em 2001, no rescaldo do Jubileu do Ano 2000, o convite para assumir um programa ao Domingo, na Renascença. «Cristo, ontem, hoje e sempre» era o mote desse ano jubilar. Assim, foi fazendo seu o desejo de João Paulo II de reconduzir os homens a Cristo no início do terceiro milénio que D. Manuel Clemente se propôs incentivar os cristãos portugueses a redescobrirem o valor do Dia do Senhor, explicando-nos, domingo a domingo, na rádio, o Evangelho.
Ao longo de 12 anos, sem falhar um único domingo, D. Manuel Clemente falou na Renascença para quem tinha sede de Deus, procurando aumentar em nós a fé, avivar em nós o amor a Cristo e a confiança no Senhor que é o Bom Pastor, despertar em nós o desejo de conversão.
Este livro, correspondente aos Evangelhos do Ano B, regista o muito que foi dito e partilhado por D. Manuel Clemente, hoje Patriarca de Lisboa, a seu propósito. Em boa hora chega, porque é sempre tempo de se deixar tocar por Deus e de se fazer à estrada, deixando-se conduzir por Jesus e respondendo ao seu desafio para que mudemos o coração e a vida, abrindo-nos às suas palavras e ao seu amor – numa palavra, à Salvação!
«[…] um frade e sacerdote capuchinho que viveu no século passado, num pequeno convento perdido na província de Foggia, poderia dizer algo importante ao homem frenético e tecnológico do século XXI? A resposta afirmativa foi-me dada assim que li as palavras inflamadas que o Padre Pio dirigiu nos seus diálogos, na direção espiritual das pessoas comuns, às figuras mais importantes, aos seus confrades. E assim decidi-me a contar tudo isso através das suas próprias palavras, para evitar restituir um tal tesouro de humanidade e espiritualidade corrompendo-o ou adaptando-o.
A única operação de relevo que encontrareis é a escolha de agrupar essas pérolas de santidade por temas ascéticos, de vida interior, de vida de piedade, para tornar mais fácil a consulta. Escolhi espaçar os escritos em frases curtas, algumas lapidares e incisivas (segundo o seu estilo), para restituir ao homem de hoje, com imediação, o vigor e a profundidade das suas palavras que, como dardos, penetram no coração e na inteligência do leitor e provocam aquilo a que o Papa Bento XVI chamou a «cisão nuclear que o ser leva no seu íntimo», referindo-se ao ato de amor de Jesus que Se doa totalmente a nós no sacrifício da Cruz, renovado de forma incruenta na Santa Missa, transformando a violência em amor e por conseguinte a morte em vida.»
Claudio Aurelio Marcellino, na «Introdução»