Criação de um santo e recriação da igreja
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«Para aqueles que o admiraram durante a sua vida pelos ensinamentos sobre a paz e pelo compromisso que assumiu de abrir a sua Igreja milenar ao mundo moderno – para deixar entrar o ar e a luz e permitir que a mensagem profunda do Evangelho resplandecesse –, ele era uma personalidade única que irradiava uma aura de humildade, humor e santidade.»
Mas – perguntamos nós hoje, à distância de mais de meio século – como foi que um sacerdote piedoso do campo, nascido no seio de uma família de humildes agricultores italianos, conseguiu atrair a tal ponto o mundo inconstante, secular e agitado do seu tempo, e com tão grandes força e eficácia desde o seu tempo até aos nossos dias? E operar tão significativas e necessárias mudanças na Igreja Católica num pontificado de pouco menos de cinco anos?
Eis algumas das questões a que se propõe responder esta cativante biografia daquela que é unanimemente reconhecida como uma das mais destacadas e carismáticas personalidades do século XX.
Nesta fascinante entrevista autobiográfica, Robert Sarah, um dos mais desassombrados cardeais da Igreja Católica, dá um testemunho ímpar da sua fé e comenta muitos dos acontecimentos, desafios e controvérsias das últimas décadas. A missão da Igreja, a alegria do Evangelho, os Papas, o mundo moderno, África e o Ocidente, a moral, a verdade, o mal e Deus – sempre – são alguns dos temas que o cardeal aborda com grandes clareza e sabedoria. O cardeal Robert Sarah nasceu e passou a sua infância na Guiné-Conacri, no seio de uma família coniagui. Inspirados no exemplo dos missionários espiritanos, que tanto se sacrificaram para levar a fé católica até à sua aldeia remota, os seus pais converteram-se ao catolicismo. Robert fez o discernimento da sua vocação para o sacerdócio e entrou para o seminário muito novo mas, devido à perseguição movida contra a Igreja pelo Governo ditatorial de Sékou Touré, um dos mais sanguinários de África, prosseguiu os seus estudos longe da terra natal, em França e no vizinho Senegal. Licenciado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, doutorou-se depois em Sagrada Escritura pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém. Em 1979, aos 34 anos de idade, Robert Sarah tornou-se o bispo mais novo da Igreja Católica, quando João Paulo II o incumbiu de presidir ao arcebispado de Conacri. O seu antecessor tinha sido preso pelo Governo marxista da Guiné, que o manteve detido durante vários anos. Quando o arcebispo Sarah correu o risco de ser assassinado, em virtude da sua luta enérgica e corajosa pela liberdade dos Guineenses, João Paulo II chamou-o a desempenhar, em Roma, as funções de secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos. Em 2010, o Papa Bento XVI nomeou-o cardeal e escolheu-o para prefeito do Pontifício Conselho Cor Unum. Em 2014, o Papa Francisco nomeou-o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.