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“As minhas memórias de José são tão pessoais que me sinto perturbado cada vez que delas falo. Por mais que os irmãos insistissem, sempre fui parco em palavras. Depois, nunca consigo recordar esses momentos sem me emocionar profundamente. Sinto agora que é meu dever, no ocaso da vida, não guardar para mim o tesouro que vivi. Tentarei não ocultar nada para que … toda a Igreja que se reúne em vossa casa possam conhecer um pouco melhor esse homem justo, forte e amável que foi o pai do Filho de Deus. E que foi também um pai para mim, a quem devo tudo o que sou.”
Este livro dá-nos a conhecer mendigos, toxicodependentes, budistas, diretores de bancos, professores de Filosofia, mães adolescentes, desportistas… Ao passear pelos misteriosos caminhos dum bairro, descobrimos algo surpreendente: o que aconteceu para que um antigo mendigo da rua seja hoje um evangelizador ardente? Como se converte um alcoólico tão triste num santo feliz?
«Desejo afirmar, com mágoa», recorda o Papa Francisco, «que a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé».
Os pobres pedem, e os pobres dão. E ensinam-nos muito, porque, por detrás das suas vidas desafortunadas e feridas, brilha o esplendor de Cristo, que Se fez pobre e veio evangelizar os pobres. Deus atua mais naqueles que chamam por Ele dia e noite.
Estas páginas desafiam-nos a atravessar a ponte que nos une aos outros, aos que consideramos aleijados, àqueles de quem nos custa cuidar, aos que a nossa sensibilidade afasta, aos que nos parecem perdidos, àqueles que não gostaríamos que nos metessem em nossa casa, aos que nos dão pena mas pelos quais nada fazemos ao passar ao seu lado.
O mistério do outro está à nossa espera.
Falta-nos dar o primeiro passo.