Reflexões cristãs em tempo de pandemia
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Este livro nasce da amizade de um grupo de padres, atingidos pela pandemia como todos. A nossa vida foi profundamente alterada e perturbada pelas circunstâncias, e demos por nós a reagir como todos: superficialmente, emocionalmente, ideologicamente, politicamente…
Mas cedo os critérios de todos revelaram o seu limite. Nos nossos encontros fomos dando conta do despertar em nós de perguntas, que nasciam da experiência e buscavam a resposta da fé.
(…) as questões que nos desafiavam eram muito variadas.
Animava-nos a convicção de que a fé ilumina não apenas as questões consensualmente consideradas religiosas, mas todos os aspetos da vida. «Uma fé que não pudesse ser encontrada e descoberta na experiência presente, e confirmada por esta, útil para responder às exigências, não seria uma fé capaz de resistir num mundo em que tudo, tudo, dizia e diz o oposto», disse um dia Don Giussani.
Padre João Seabra, na Apresentação
Este livro dá-nos a conhecer mendigos, toxicodependentes, budistas, diretores de bancos, professores de Filosofia, mães adolescentes, desportistas… Ao passear pelos misteriosos caminhos dum bairro, descobrimos algo surpreendente: o que aconteceu para que um antigo mendigo da rua seja hoje um evangelizador ardente? Como se converte um alcoólico tão triste num santo feliz?
«Desejo afirmar, com mágoa», recorda o Papa Francisco, «que a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé».
Os pobres pedem, e os pobres dão. E ensinam-nos muito, porque, por detrás das suas vidas desafortunadas e feridas, brilha o esplendor de Cristo, que Se fez pobre e veio evangelizar os pobres. Deus atua mais naqueles que chamam por Ele dia e noite.
Estas páginas desafiam-nos a atravessar a ponte que nos une aos outros, aos que consideramos aleijados, àqueles de quem nos custa cuidar, aos que a nossa sensibilidade afasta, aos que nos parecem perdidos, àqueles que não gostaríamos que nos metessem em nossa casa, aos que nos dão pena mas pelos quais nada fazemos ao passar ao seu lado.
O mistério do outro está à nossa espera.
Falta-nos dar o primeiro passo.