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«Enquanto pároco, vou-me apercebendo, nas várias comunidades que tenho tido a graça de servir, que os hábitos de oração ou não existem – devido a uma iniciação paupérrima, talvez mesmo inexistente no ambiente familiar, catequético ou comunitário – ou estão a cair em desuso, ou são ainda de tal forma pueris que praticamente se limitam à oração vocal e à petição. Com honrosas exceções, como não será difícil de prever.
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Este livro dá-nos a conhecer mendigos, toxicodependentes, budistas, diretores de bancos, professores de Filosofia, mães adolescentes, desportistas… Ao passear pelos misteriosos caminhos dum bairro, descobrimos algo surpreendente: o que aconteceu para que um antigo mendigo da rua seja hoje um evangelizador ardente? Como se converte um alcoólico tão triste num santo feliz?
«Desejo afirmar, com mágoa», recorda o Papa Francisco, «que a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé».
Os pobres pedem, e os pobres dão. E ensinam-nos muito, porque, por detrás das suas vidas desafortunadas e feridas, brilha o esplendor de Cristo, que Se fez pobre e veio evangelizar os pobres. Deus atua mais naqueles que chamam por Ele dia e noite.
Estas páginas desafiam-nos a atravessar a ponte que nos une aos outros, aos que consideramos aleijados, àqueles de quem nos custa cuidar, aos que a nossa sensibilidade afasta, aos que nos parecem perdidos, àqueles que não gostaríamos que nos metessem em nossa casa, aos que nos dão pena mas pelos quais nada fazemos ao passar ao seu lado.
O mistério do outro está à nossa espera.
Falta-nos dar o primeiro passo.