Crónicas do Céu
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O mundo, todo o mundo, existe nos ramos de uma enorme floresta. As avenidas e ruas, as casas e prédios, os campos e montanhas são todos formados do material vegetal, subsistindo equilibrados nos troncos, ramos, folhas e caules de um espesso arvoredo. A nossa vida persiste frágil no topo ondulante de um bosque batido pelo vento. Pior ainda, do fundo escuro que vislumbramos em baixo, sobem troncos ameaçadores. A floresta parece subsistir sobre um pântano infecto e feroz, onde se adivinham perigos sinistros. A vida humana titubeia permanentemente sobre o caos. Em cima, pelo contrário, é o mistério. Nada mais se vê do que o matagal cerrado das copas, sem se conseguir vislumbrar a origem daquela luz que, apesar de tudo, vai passando e dá sentido a toda esta existência. Que aventuras nos esperam neste mundo, simultaneamente surpreendente e promissor? Mais importante ainda, de onde vem esse brilho que se entrevê lá adiante, através das folhas cerradas da minha vida?
“As minhas memórias de José são tão pessoais que me sinto perturbado cada vez que delas falo. Por mais que os irmãos insistissem, sempre fui parco em palavras. Depois, nunca consigo recordar esses momentos sem me emocionar profundamente. Sinto agora que é meu dever, no ocaso da vida, não guardar para mim o tesouro que vivi. Tentarei não ocultar nada para que … toda a Igreja que se reúne em vossa casa possam conhecer um pouco melhor esse homem justo, forte e amável que foi o pai do Filho de Deus. E que foi também um pai para mim, a quem devo tudo o que sou.”